A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, a primeira vacina desenvolvida inteiramente no Brasil direcionada ao combate do Plasmodium vivax, o tipo de malária mais comum no país. O imunizante é fruto de uma união estratégica entre pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade de São Paulo (USP) e do laboratório farmacêutico Cristália. O aval regulatório representa um marco significativo para a ciência nacional, visto que as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) até o momento foram desenvolvidas para combater outra espécie do parasita, predominante na África.
Nas Américas, o P. vivax concentrou mais de 63% dos casos estimados de malária, evidenciando a urgência de uma solução voltada para a realidade epidemiológica da região. A primeira etapa dos testes clínicos envolverá 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, que nunca contraíram a doença. Os exames e aplicações serão conduzidos no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, dividindo os participantes em grupos que receberão diferentes dosagens da Vivaxin ou placebo, com acompanhamento clínico estimado em cerca de um ano.
Como funcionará a Fase 1 dos testes clínicos no Brasil
Durante esta etapa inicial autorizada pela agência reguladora, os pesquisadores acompanharão rigorosamente três pilares fundamentais para atestar a viabilidade da pesquisa: a segurança do imunizante na identificação de reações adversas, a capacidade de resposta imunológica do organismo e a avaliação da dosagem ideal. Os protocolos preveem três aplicações com intervalos de 28 dias entre cada dose. É importante ressaltar que a autorização concedida pela Anvisa não significa que a vacina esteja aprovada para comercialização ou distribuição em larga escala, pois o processo de desenvolvimento e comprovação de eficácia exige etapas posteriores de longo prazo.
Enquanto o Plasmodium falciparum lidera as estatísticas de mortalidade global por malária na África, o Plasmodium vivax desafia as autoridades sanitárias latino-americanas e asiáticas. A transmissão ocorre através da picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles. A comunidade científica tem buscado alternativas eficazes para conter a proliferação do vetor que afeta milhares de pessoas anualmente nas regiões endêmicas do território brasileiro.
O impacto regional e a importância do combate ao Plasmodium vivax
A expectativa da comunidade científica nacional é que a Vivaxin consiga preencher essa lacuna histórica, oferecendo uma barreira de proteção inédita para a população brasileira exposta à endemia. O desenvolvimento nacional reforça a autonomia tecnológica do país na produção de imunizantes de alta complexidade. Novos desdobramentos sobre a evolução dos testes clínicos deverão ser divulgados pelos pesquisadores responsáveis conforme o avanço do acompanhamento dos voluntários em Belo Horizonte.
