Gravações divulgadas nesta segunda-feira (12) revelam policiais militares efetuando pelo menos 24 tiros contra Antonio Nunes Batista, um homem de 40 anos, após sua queda durante uma intervenção policial na Vila Dionísia, em São Paulo. O incidente ocorreu na madrugada de 3 de outubro. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) declarou que o indivíduo estaria ameaçando transeuntes e teria investido contra os agentes. A morte está sob investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), além de um inquérito militar. Antonio não sobreviveu aos ferimentos.
As imagens, inicialmente veiculadas pela TV Globo e também acessadas pela CNN Brasil, documentam o exato momento em que Antonio é atingido por um dispositivo de eletrochoque, desequilibrando-se e caindo ao chão antes de ser alvo da sucessão de disparos. Ele foi prontamente socorrido e encaminhado a uma unidade de saúde, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. A gravação torna-se peça fundamental para a compreensão dos fatos, embora não capte a comunicação verbal entre os envolvidos. Essa lacuna ressalta a necessidade de complementar a análise com outros registros e depoimentos.
Versão oficial e inconsistências na cena
A Secretaria da Segurança Pública informou que os policiais foram acionados devido a relatos de um homem em aparente estado de surto, ameaçando pedestres com uma faca e uma barra de ferro. A pasta sustentou que o indivíduo teria avançado contra os policiais e que os dispositivos de eletrochoque não teriam sido eficazes para contê-lo.
No entanto, essa narrativa será contraposta pelas imagens gravadas e pelos laudos periciais. É crucial notar que há divergências entre o depoimento policial e a lista de itens recolhidos no local, conforme noticiado pelo UOL: o documento de apreensão menciona uma faca e um garfo de churrasco danificado, mas não faz menção à barra de ferro citada pelos agentes.
Andamento das investigações e medidas tomadas
O DHPP está à frente da apuração sobre as circunstâncias da morte. Adicionalmente, foi instaurado um Inquérito Policial Militar, com o acompanhamento direto da Corregedoria da Polícia Militar. Como medida preventiva, os policiais envolvidos foram afastados de suas funções operacionais. As armas utilizadas na ocorrência foram recolhidas e encaminhadas para perícia, e as imagens das câmeras corporais dos agentes foram solicitadas. Exames detalhados também foram requisitados ao Instituto Médico Legal para auxiliar na elucidação dos fatos. O objetivo da investigação é esclarecer a dinâmica completa da abordagem e determinar a conduta de cada policial presente.
