Os detalhes de como Flávio Bolsonaro conseguiu deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos vieram a público nesta semana. O que inicialmente parecia uma viagem particular revelou ter tido articulação direta de pessoas próximas ao governo norte-americano, e cada passo do plano está sendo esclarecido pelas informações divulgadas.
A confirmação veio do próprio assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller. Ele confirmou ter sido responsável por providenciar o jatinho particular que levou o senador e sua família da Argentina até Miami. A informação foi inicialmente revelada pelo jornal norte-americano The New York Times e posteriormente confirmada pelo assessor.
Autorização de entrada veio de cima
Não foi apenas o transporte que foi organizado. A própria entrada de Flávio nos Estados Unidos precisou de autorização especial, que foi concedida diretamente pelo presidente Donald Trump. Ele autorizou a entrada temporária por meio de um mecanismo chamado “parole”, que permite a permanência de estrangeiros por razões humanitárias ou de interesse público. Sem essa autorização, dificilmente ele conseguiria desembarcar no país.
Trump também sinalizou que Flávio provavelmente terá residência permanente garantida nos Estados Unidos posteriormente, e que o processo poderá ser acelerado, assim como aconteceu com seu irmão Eduardo Bolsonaro, que obteve o green card em julho deste ano. O Departamento de Segurança Interna confirmou que o senador e sua família passaram pela alfândega e foram liberados após os procedimentos de rotina.
O plano foi montado em menos de 48 horas
Tudo começou na última segunda-feira (26), quando a Polícia Federal solicitou que Flávio entregasse seus passaportes em até 24 horas. Como ele não cumpriu a determinação, os documentos foram cancelados e um alerta foi emitido para impedir sua saída do país. Mesmo assim, ele conseguiu deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina na noite da última terça-feira (27), por meio da Ponte da Fraternidade, em Foz do Iguaçu.
Cerca de 40 minutos após cruzar a fronteira, ele e a família embarcaram em um jatinho Gulfstream G400 da empresa argentina Baires Fly, com destino a Guayaquil, no Equador, e de lá seguiram para Miami, onde chegaram na manhã de quarta-feira (28). A Polícia Federal brasileira ainda investiga as circunstâncias da saída e afirma que não tem registro oficial da passagem dele pelo controle migratório.
A PF ressaltou que, embora os documentos tenham sido cancelados e haja investigações em andamento, isso não torna automaticamente o senador um fugitivo nem justifica uma prisão por si só. A empresa de aviação que transportou a família também é alvo de investigação na Argentina. Enquanto os detalhes continuam sendo revelados, o que se sabe até agora é que a saída não foi uma decisão tomada sozinha — teve apoio, articulação e autorização de fora do Brasil. E essa parceria entre autoridades e pessoas próximas ao senador é o que tem chamado a atenção de todos.
